Sobre a Receita
O bolo de mandioca — ou de macaxeira, ou de aipim, conforme a região — é um daqueles bolos que não precisam de farinha de trigo para existir: a própria mandioca ralada dá o corpo, e o leite de coco faz o resto. O problema é que a receita tradicional resolve a estrutura com três ou quatro ovos e uma boa colherada de manteiga, o que deixa de fora exatamente quem mais sente falta desse bolo. Esta versão não tem ovo, não tem leite, não tem manteiga e não tem farinha nenhuma — e continua cremosa no miolo, dourada em cima, do jeito que se lembra. Só que, sem ovo para segurar a massa, dois erros que o bolo tradicional perdoa aqui viram fatia solada e miolo borrachudo: mandioca mal espremida e massa batida demais. São esses dois pontos que o passo a passo abaixo trata com cuidado.
Informações
- Tempo de Preparo: 25 minutos
- Tempo de Forno: 55 minutos
- Tempo de Descanso: 40 minutos (esfriar antes de desenformar)
- Rendimento: 12 fatias
- Dificuldade: Fácil

Ingredientes para o Bolo de Mandioca Sem Ovo
- 700 g de mandioca crua já descascada e sem o talo fibroso do meio (cerca de 4 xícaras raladas)
- 200 ml de leite de coco (1 vidro pequeno)
- 1 e 1/4 xícara (225 g) de açúcar
- 1/3 de xícara (80 ml) de óleo neutro
- 1 e 1/4 xícara (100 g) de coco ralado seco, sem açúcar
- 2 colheres de sopa (20 g) de polvilho doce
- 1 colher de chá de fermento em pó
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1/2 colher de chá de sal
- Para a forma: óleo e um pouco de polvilho doce para polvilhar
Modo de Preparo
- Limpando a mandioca: descasque a mandioca e parta ao meio no sentido do comprimento. No centro corre um talo fibroso e duro, parecido com um barbante grosso — puxe e descarte. Se ele ficar, vira fiapo dentro da fatia e não amolece com o forno.
- Ralando fino: rale a mandioca no lado fino do ralador. É mais trabalhoso que bater no liquidificador, mas é o que garante miolo cremoso em vez de borrachudo — o liquidificador quebra o amido demais e a massa vira liga.
- Espremendo (o passo que decide): junte toda a mandioca ralada no meio de um pano de prato limpo, feche como uma trouxa e torça com força sobre uma tigela. Vai sair bastante líquido leitoso. Aperte até parar de pingar em fio. A mandioca crua tem entre 60% e 70% de água, e essa água, sem ovo para segurar a massa, desce para o fundo da forma e cria aquela camada gomosa e solada.
- Misturando os líquidos: numa tigela grande, misture o leite de coco, o açúcar, o óleo, a baunilha e o sal até o açúcar começar a dissolver.
- Juntando o seco: acrescente o coco ralado, o polvilho doce e o fermento e misture. Só então adicione a mandioca espremida, mexendo com colher apenas até ficar homogêneo. Não bata, não use batedeira e não volte ao liquidificador: cada volta a mais deixa o bolo mais elástico.
- Levando ao forno: unte uma forma de furo central de 22 cm com óleo e polvilhe polvilho doce (farinha de trigo aqui tiraria o “sem glúten”). Despeje a massa, alise a superfície e leve ao forno preaquecido a 180 °C por cerca de 55 minutos. Não abra o forno antes dos 30 minutos.
- Conferindo o ponto: o bolo está pronto quando a superfície estiver dourada, as beiradas descolarem da forma e um palito enfiado no meio sair úmido, mas sem massa crua grudada. Este bolo não fica seco no palito como um bolo de trigo — se esperar isso, ele passa do ponto.
- Esperando esfriar: deixe na forma por 40 minutos antes de desenformar. O miolo firma enquanto esfria; cortado quente, ele parece cru e desmancha na espátula.
Dicas e variações
- Erro comum nº 1 — mandioca mal espremida. É a causa mais frequente de fundo encharcado. Se depois de torcer o pano ainda escorrer líquido ao apertar a massa com a colher, torça de novo.
- Erro comum nº 2 — liquidificador. Bater a mandioca crua libera amido demais e o bolo assa elástico, com aquela textura de borracha. Se ralar à mão for inviável, use o disco de ralar do processador; em último caso, pulse o liquidificador em toques curtos, nunca em velocidade contínua.
- Se usar mandioca congelada: descongele por completo e esprema com mais força ainda, porque o congelamento rompe as células e libera muito mais água. Pode ser preciso tirar quase o dobro de líquido.
- Sem coco ralado: substitua por mais 60 g de mandioca ralada e acrescente 1 colher de chá de canela. Fica menos perfumado, mas a estrutura se mantém.
- Versão com goiabada: despeje metade da massa, distribua cubos pequenos de goiabada e cubra com o resto. A goiabada derrete e vira um veio no meio da fatia.
- Para a lancheira: aguenta bem a mochila. Corte só depois de frio, embrulhe cada fatia em papel-manteiga e não coloque ao lado de fruta cortada, que solta umidade e amolece a casquinha de cima.
- Para guardar: 3 dias em temperatura ambiente num pote fechado, ou 6 dias na geladeira. Congela bem por até 3 meses em fatias separadas; descongele em temperatura ambiente e aqueça 15 segundos no micro-ondas para voltar a cremosidade.
- Para festa: esta receita em forma retangular de 30 × 20 cm rende 20 quadradinhos pequenos, com o mesmo tempo de forno.
Perguntas frequentes
Por que meu bolo de mandioca ficou solado no fundo?
Quase sempre por excesso de água na massa. A mandioca crua é 60% a 70% de água, e no bolo tradicional os ovos ajudam a segurar essa umidade em suspensão. Sem ovo, a água desce e forma uma camada gomosa no fundo. Espremer a mandioca ralada num pano até parar de pingar resolve na origem. As outras duas causas, em ordem de frequência, são abrir o forno cedo demais e tirar o bolo antes da hora — este bolo precisa dos 55 minutos completos.
Por que ficou borrachudo?
Por excesso de mistura. Bater a mandioca no liquidificador, ou mexer a massa muito depois de tudo junto, libera e trabalha o amido, que assa elástico. Rale a mandioca e misture com colher só até ficar homogêneo. Esse é o motivo de a receita não usar batedeira em nenhum momento.
Serve para criança com alergia ao leite (APLV)?
Serve: a receita não tem leite, manteiga nem qualquer derivado — o cremoso vem do leite de coco. Vale lembrar uma distinção que confunde muita gente: produto “zero lactose” não serve para APLV, porque retirar a lactose não retira a caseína, que é a proteína que causa a reação. Aqui não há nem uma nem outra. Confirme a conduta com o pediatra e, no rótulo do leite de coco, confira se não há leite entre os ingredientes ou nos traços.
É realmente sem glúten?
Sim, por construção: não entra farinha de trigo, aveia nem nada derivado de trigo, centeio ou cevada. A mandioca e o polvilho doce são naturalmente livres de glúten. Para uso celíaco, confira o selo do polvilho e do fermento em pó, que às vezes vêm de linha de produção compartilhada, e não unte a forma com farinha de trigo — use polvilho, como está no passo 6.
Tem coco: posso mandar para a escola?
O coco é um alérgeno relevante e algumas escolas o restringem, então confira a política antes. Em compensação, esta receita não leva ovo, leite, castanha, amendoim nem soja, o que a torna segura para boa parte das restrições cruzadas de uma festinha.
Quantas calorias tem?
Cerca de 308 kcal por fatia, considerando 12 fatias. A gordura vem do coco e do óleo vegetal, e o bolo não tem colesterol — o que é impossível na versão tradicional, feita com ovos e manteiga.
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Olá! Sou mineira e gosto de sentir o sabor e o cheiro da comida caseira, daquele bolinho de cenoura com café quentinho, daquele pão de queijo saindo do forno, e de saborear um café da manhã, um almoço, um jantar, um petisco com as pessoas que amo!
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Fundadora do Pitadas de Sabor, compartilho por aqui dicas e receitas práticas, mostrando como a alimentação à base de plantas pode ser surpreendente, saudável e cheia de sabor. Use sua criatividade e adapte as receitas com os temperos que você mais gostar!
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Sou graduada em Ciências Biológicas e pós-graduada em Gestão Administrativa e Contábil com mais de 20 anos atuando na gestão de Empresas Nacionais, Multinacionais e Digitais.
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